Vacinação e a luz no fim do túnel

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Vacinação e a luz no fim do túnel. Foto: PixaBay.

Quando dezembro de 2020 chegou, a sensação de finalizar um ano tão complexo deixou as pessoas e as empresas animadas. O desejo de um ano melhor, em que pudéssemos voltar a normalidade tomou conta da vida de todos.

Porém, sabíamos que para a tão sonhada normalidade era necessário a vacinação em massa da população e com a maior agilidade possível. Não somente nosso psicológico andava abalado com tanto tempo de isolamento, como nossa economia em frangalhos com as incertezas. Como produzir e como comprar se não há clareza sobre o que virá a acontecer? Como investir com uma economia sem perspectivas ou como criar projeções de consumo quando o desemprego bate recordes? A economia também precisa da vacinação, e podemos lhe explicar alguns motivos para isso:

Quando pensamos em economia, pensamos em pessoas e não em mercados

As quedas bruscas que aconteceram em 2020 ocorreu pelo menor circulação de pessoas e com isso de dinheiro. Mesmo com a alta do comércio online, não foi o suficiente para impulsionar alguns setores, como o de serviços, que necessita de atividades presenciais. Com a flexibilização no fim do ano, observou-se melhora econômica, porém, com a chegada da vacina pode alterar esse cenário consideravelmente. Com a população imunizada, as pessoas sairão de casa e, consequentemente, gastarão mais e as restrições sobre estabelecimentos fechados também devem começar a cair.

Se não há saúde e pessoas vivas, não há para quem vender, a vacina estimula a economia das empresas

Com mais gente imunizada e circulando, as empresas serão impactadas diretamente. E o setor de serviços, que é responsável por mais de 70% do PIB Brasil (dados de 2019) poderá voltar a produzir, uma vez que este setor precisa das atividades presenciais.

A imunização impacta na redução das incertezas diante do futuro, empresários terão mais segurança na tomada de decisão para os investimentos, com a pandemia e as mudanças bruscas na curva de contagio é quase impossível planejar o futuro. Assim, com o aumento da taxa de imunização e a queda nas medidas de restrição os empresários poderão voltar a investir e produzir. Lembrando que, quanto maior o número de pessoas doentes, menor os gastos dessas pessoas e de suas famílias. A economia precisa de vidas para crescer e não de pessoas doentes.

Voltaremos a ter emprego e renda

A retomada do mercado de trabalho, principalmente o formal não acontecerá de forma rápida com a retomada do consumo. Pois, para se contratar mais pessoas, é necessário muitas vezes a expansão das operações, dos investimentos e isso se dá através do andamento da economia e das certezas, com maior grau de confiança, os empresários colocarão recursos em seus negócios e assim, abrirá as possibilidades de contratação de mão de obra, entretanto, esse processo é mais lento do que a retomada do consumo, por isso é tão importante a agilidade na vacinação em massa.

Até porque, quanto mais vagas surgem, mais dinheiro circula, e mais dinheiro circulado e lucro gerado, mais gastos e o ciclo se forma em novas contratações.

Betim e a vacinação

A cidade de Betim foi fortemente atingida pela pandemia como a maioria das cidades industriais de nosso país, as restrições impactaram fortemente da arrecadação tributária do município. Porém, a cidade saiu na frente quando na ultima quinta feira, o prefeito Vittório Medioli anunciou a compra de mais de 1,2 milhões de doses da vacina russa Sputnik V após a sanção da MP das Vacinas e da decisão do STF (Superior Tribunal Federal) que permite que municípios adquiram imunizantes sem interferência do governo federal, assim, a cidade sai na frente na imunização em massa de seus habitantes, uma vez que a prefeitura comprou vacinas para além da população do município, e assim, poderá planejar a retomada econômica.

Essa decisão acertada da prefeitura pode implicar inclusive em novos investimentos para a cidade, uma vez que a preocupação com a saúde e com a economia, e a possibilidade de maiores certezas econômicas será destaque do município para atrair novos investimentos. Além de promover todo esse ciclo econômico já mencionado indo antes mesmo que a maioria dos grandes municípios do Brasil, atraindo a possibilidade de expansão econômica mesmo num momento de crise brasileira.

Pamela Sobrinho é economista, pós-graduada em Controladoria e
Finanças pos graduanda em Gestão Empresarial e pesquisadora em Economia. É conselheira do Corecon-MG e Membro da Comissão de Direitos Humanos de Betim. Foi uma das selecionadas para o Encontro Internacional Economia de Francisco. Instagran https://www.instagram.com/universodepam/