UFMG inicia testes de vacina brasileira contra a Covid-19

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Vacina produzida pela UFMG avança para fase de testes em primatas; previsão é que experimentos em humanos tenham início em outubro. Foto: Site Oficial da UFMG/ Reprodução.

Outras sete pesquisas estão em andamento para se desenvolver um imunizante nacional

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciou a testagem em primatas (macacos) da vacina contra a Covid-19. O imunizante está sendo desenvolvido pelo Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG (CT-Vacinas) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esta será a primeira fase de teste do imunizante chamado provisoriamente de Spintec. Logo depois a instituição iniciará as fases 1 e 2 de testes em humanos. Para concluir, a testagem em massa deve começar no final de 2021 e início de 2022.

Os testes em animais devem durar cerca de 60 dias. Em seguida, os pesquisadores precisarão ter autorização para iniciar a próxima etapa em humanos, o que pode ser dividida em três momentos: as fases 1 e 2 levarão de 60 a 80 dias. A fase 3 durará cerca de seis meses.

A combinação do Spintec consiste em duas proteínas, uma elas a proteína S, que é utilizada pelo Sars-CoV-2 para invadir as células humanas. O composto formado pelas proteínas combinadas, também chamado de “quimera”, é injetado no organismo aumentando as chances de obter imunidade.

Financiamento

A UFMG terá apoio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para a fase de testes em humanos. O presidente da ALMG, deputado Agostinho Patrus (PV), disse em reunião com a reitora da Universidade, Sandra Goulart Almeida, na última quarta-feira (14/4), que pretende destinar R$ 30 milhões para viabilizar as próximas fases.

Esse valor deve vir do pagamento da vale pelas indenizações em decorrência dos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019.

Vacina brasileira

Universidades brasileiras e institutos de pesquisas estão em fase de desenvolvimento de um imunizante nacional. Hoje, a UFMG trabalha com sete projetos: cinco no CT-Vacinas, localizado no Parque Tecnológico de Belo Horizonte, que contam com participação do Instituto René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas); e duas no Instituto de Ciências Biológicas (ICB).

Segundo uma das coordenadoras do CT-Vacinas e professora da Faculdade de Farmácia da UFMG, Ana Paula Fernandes, a busca por uma vacina brasileira que previna a Covid-19 é importante para frear a pandemia e ajudar o país a criar as bases para a produção de imunizantes contra outras doenças no futuro.

“Todo o conhecimento adquirido nos estudos para a vacina contra a Covid-19 será útil para que possamos criar vacinas contra outras doenças, visto que alguns processos se repetem em todo o percurso de desenvolvimento de um imunizante”, explica.

*Com informações da UFMG.