Saúde sobre duas rodas: ciclismo ganha cada vez mais adeptos

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O administrador Humberto Gomes intensificou a prática do ciclismo nos últimos sete meses. Foto: Arquivo pessoal.

Atividade está tomando as ruas e a preferência da população

Atualmente o número de ciclistas em parques, pistas e até mesmo nas vias tem crescido bastante. De acordo com dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), em agosto o aumento de vendas de bicicletas foi de 93% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Muita gente usa as bikes por diversão, competição ou, até mesmo, como meio de transporte na hora de ir trabalhar ou estudar. A atividade é composta por movimentos repetitivos e trabalha o fortalecimento da musculatura das pernas e até mesmo do abdômen, de acordo com o fisiologista do exercício e personal trainer, Kleber Mendes. O ciclismo ajuda também na perda de calorias e na aceleração do metabolismo.

“São inúmero benefícios, desde a condição do próprio emagrecimento, até na melhora do condicionamento cardiorrespiratório, ganho de massa muscular, melhora da autoestima, melhora da saúde geral, do índice de triglicérides e colesterol, diminuição da pressão arterial e redução do quadro glicêmico da pessoa”, afirma o profissional.

Kleber acredita que, por causa da pandemia, esse é um esporte que tem crescido bastante. “As pessoas praticam na rua e por isso elas deixaram de frequentar as academias que estavam fechadas. Eu acredito que é um esporte que tem uma tendência de crescimento muito grande por ser muito prazeroso”, completa.

O ciclista Laércio Alves é um deles. Ele começou a praticar o exercício no início do isolamento social, há sete meses, por ser um esporte individual. Atualmente, Alves percorre 10 km todos os dias. Segundo ele, a prática o ajudou a perder calorias e tem o proporcionado um bem estar cada vez maior.

“Hoje a pedalada virou um estilo de vida para mim e eu não quero perder isso quando eu voltar às minhas atividades profissionais. Não quero perder esse contato com a bicicleta”, encerrou.

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Esporte democrático

Personal trainer há 20 anos e também proprietário de uma academia em Betim, Kleber Mendes indica o esporte para todas as idades. Ele afirma que a única restrição para executar a prática são problemas musculares e articulares.

“De crianças até idosos, podem praticar se a pessoa não tiver nenhuma restrição articular ou muscular. Eu diria que é um esporte muito eclético. Você pode praticar um Speed, por exemplo, mesmo não sendo um campeão de velocidade. Você vai poder praticar esse esporte dentro da sua capacidade física”, explicou o profissional.

Praticante do ciclismo na adolescência, o administrador Humberto Gomes retomou sua vida ciclística há três anos, mas foi em 2020 que ele passou a se dedicar mais à prática. “Nesse ano intensifiquei mais ainda as pedaladas por causa da pandemia. Já que as academias estavam fechadas, optei por pedalar ao ar livre em trilhas e em lugares arejados”, conta.

“Eu me sinto muito bem, não só fisicamente mais também mentalmente. Consegui desenvolver uma espécie de terapia quando pedalo. Contemplo a natureza e de certa forma isso faz muito bem pra minha alma”, completou Humberto.

Ele afirma que do ponto de vista psicológico, o ciclismo é como uma válvula de escape e ajuda no alívio da tensão do dia a dia. Pedalando durante três vezes na semana, o administrador relata ter optado pelo exercício de duas rodas principalmente por ser um esporte aeróbico e por auxiliar na melhora do condicionamento físico e, também, na perda de peso.

História

Considerado como esporte olímpico no século XIX, na Inglaterra, a prática faz parte das Olimpíadas desde 1896 e pode ser realizada de diversas formas, dentre elas: Moutain Bike, ciclismo de pista e ciclismo de estrada.

Mas foi em 1936 que o esporte chegou oficialmente em Minas Gerais, isso porque um dono de padaria, em Belo Horizonte, apaixonado por ciclismo, trouxe em sua bagagem na vinda da Itália para o Brasil uma coleção de medalhas que ganhou em competições no exterior. Ele organizava encontros em seu estabelecimento na capital mineira, surgindo assim, nestes encontros, o Cicle Moto Clube que mais tarde começou a propor diversas competições na grande BH.

Cinco anos depois surgiu a Federação Mineira de Ciclismo, em 1º de janeiro de 1941, e clubes afiliados de prestígio como Cicle Moto Clube, Cruzeiro Esporte Clube, Clube Atlético Mineiro, América Futebol Clube, Paissandu e Fluminense da Lagoinha.

*Estagiária sob supervisão de Sara Lira.