Ler mais pode te fazer ganhar mais dinheiro

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Por Paulo Taveira

Sim, ler mais pode te fazer ganhar mais dinheiro! Ao menos você já deve ter escutado algo parecido dos seus pais. E, se foi esperto, você ouviu e obedeceu. Certo?

Segundo pesquisa realizada em 2016 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para cada ano estudado o salário aumentava quase 15%. Ou seja, uma pessoa que concluiu o ensino médio pode ter o salário 50% maior que uma que não tem.

Quando se considera a graduação, o curso superior no caso, os números são ainda mais impressionantes. Os dados mostram que os formados em faculdade podem ganhar, em média, até mais que o dobro de quem tem apenas o ensino médio. É claro que há que se considerar particularidades e distorções regionais que talvez apontem para uma percepção diferente dessa, mas estamos aqui falando de um dado amostral médio que, ainda assim, não deixa de fazer muito sentido.

Com o país mergulhado em um cenário cinzento, com muitas dúvidas e sinalizações de crises, a maioria da população está passando por momentos de restrições. O desemprego, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, já atinge 13 milhões de brasileiros, e a saída para não fazer parte dessa estatística pode estar nos estudos.

Mas é exatamente no momento de apresentar-se ao mercado de trabalho como uma boa opção, com diferenciais que adicionem valor e contribuam com os bons resultados, que as pessoas simplesmente abandonam os estudos e a sua qualificação. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho, os trabalhadores que concluíram a universidade sofreram bem menos com o desemprego, tanto que, para este grupo de pessoas,abriram-se 142 mil postos de trabalho, mesmo na crise.

Opa! Então agora o Brasil, e os brasileiros, agora vão crescer, erto?

Mais ou menos. Olha só!

Realidade

E se eu te dissesse que o brasileiro lê, em média, apenas cinco livros a cada ano? Sim. Cinco livros. E contando com os livros obrigatórios exigidos pelas escolas. Muito pouco, não acha? E se eu te dissesse ainda que 75% dos brasileiros preferem assistir TV em seu tempo livre, que apenas 25% declaram gostar de ler nas horas vagas e que quase 20% não fazem nada, apenas descansam ou dormem? É Sério.

Esses dados estão relacionados na quarta edição da Pesquisa Nacional Retrato Leitura,  publicada em 2016 pelo Instituto Pró-Livro (IPL), uma instituição séria que tem como missão: “Contribuir para o desenvolvimento de ações voltadas a transformar o Brasil em um país leitor”. Você pode acessar a íntegra da Pesquisa, e as demais informações sobre o IPL.

Segundo essa pesquisa, com dados colhidos em 2015 e publicados em 2016, para uma pessoa ser considerada leitora ela deveria ter lido ao menos um livro, inteiro ou em partes, dentro dos últimos três meses que a antecederam. Assim, num país com população estimada, à época, em 201 milhões de pessoas, apenas pouco mais da metade se qualificou como leitora. E para aqueles que se qualificaram, a maioria lia apenas porque era “obrigada”, ou por demandas escolares ou por demandas religiosas.

Uma menor parte lia por lazer, ou por consciência de atualização profissional (7%) e possibilidade de crescimento pessoal (10%). Essa mesma pesquisa ainda traz outros dados interessantes:

  • Aproximadamente três quartos das pessoas que liam (75%) declararam que gostariam de ter lido mais, sendo que metade delas não o fez por falta de tempo. Quase metade das pessoas ainda declararam que tinham dificuldades para ler por pura falta de paciência e porquê liam muito devagar;
  • 49% dos leitores viam a aquisição de conhecimento como principal significado para a leitura. 23% viam na leitura uma forma de atualização e crescimento profissional e outros 17% enxergavam nesse hábito (que é muito importante) a saída para vencer na vida e se obter sucesso, sendo que a maioria das pessoas que deu essa resposta pertencia às classes D e E.

A pesquisa conclui também que o hábito de leitura dos pais tem forte influência sobre a formação do hábito de leitura dos filhos e, que, quanto maior a renda e a escolaridade das pessoas, maior o seu hábito de leitura.

Cadê a fome?

Ficou bastante claro que a única forma de avançar em direção à prosperidade de forma lícita, e não falo apenas da prosperidade financeira, mas também da cultural e humanista, é através do esclarecimento permitido pelos estudos. Estudar é um ato que exige o hábito da leitura, e todo hábito precisa ser construído passo a passo, com paciência.

A própria pesquisa conclui que a situação pode ser desenhada através de uma espiral. Quanto mais eu estudo (leio) mais chance de prosperar eu tenho. Quanto mais eu prospero, mais eu estudo (leio). Quanto mais eu estudo (leio)…

E nem se pode dizer que a suposta crise, e a falta de recursos, é um impedimento para a leitura, pois segundo a mesma pesquisa, de cada dez pessoas que liam, em média apenas quatro compravam o seu livro. Os demais pediam emprestado.

E o tempo? A pesquisa nos mostra também que, apesar de ser essa a nossa principal desculpa, não é a falta de tempo o grande problema, afinal quantas horas do nosso dia são simplesmente doadas aos programas de televisão?

Olhando para tudo isso podemos nos perguntar se, uma vez que temos a faca e o queijo nas mãos, porque nos falta a fome?

Se liga, Brasil! Seja Massa. Leia!

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