Os últimos quatros anos foram atípicos na história moderna da política brasileira

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No inicio do ano de 2015 instaurou-se uma crise politica sem precedentes. As brigas partidárias barraram todos os projetos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, ficou claro a ingovernabilidade da Presidente Dilma, o racha com seu vice foi o apogeu de consolidação da crise.
O economista Luiz Alberto Machado, havia citado no final de 2015, quando houve a consolidação da crise, que em 2016 entraríamos em uma depressão econômica “andando para trás e como uma inflação alta”. A instabilidade política logo nos primeiros meses e as incertezas fizeram com que o Brasil passasse o ano estagnado, e por consequência em uma depressão econômica.
O resultado depressão foi o impeachment de Dilma Rousseff e as promessas de Michel Temer, agora presidente da republica de “colocar ordem na casa”, fazer as reformas necessárias e tirar o Brasil da crise.
Em 2017, após dois anos consecutivos de quedas intensas na economia brasileira e uma dolorosa depressão econômica, estamos oficialmente fora da crise. O IBGE divulgou o resultado do PIB, que apresentou um tímido crescimento de 1%, a “retomada de crescimento mais lenta da história” de acordo com a economista e professora da USP Laura Carvalho, mas suficiente para acalmar os ânimos do mercado financeiro. E em 2018 caminhamos para mais um resultado pífio de 1,30% conforme projeção do FMI.
Cabe ressaltar que, conforme mencionado por Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro/Ibre, da FGV, “Se o PIB crescer em média 2% ao ano (hipótese até otimista, considerado o nosso desempenho recente), o PIB per capita só voltará ao patamar de 2013 em 2024. Nesse sentido, é uma década perdida. E será mais de uma década perdida se não conseguirmos avançar nas reformas do Estado, para torná-lo solvente e eficiente.”
Vamos então analisar as gestões Dilma e Temer: Dilma em seu um ano e meio de mandato e não consegui apresentar nenhuma proposta tendo em vista a crise politica que o Congresso Nacional se encontrava. Algumas medidas para conter os problemas das crises cíclicas econômicas não foram tomadas em tempo hábil, diante da crise, as medidas emergenciais não passaram. Entretanto podemos apontar erros de gestão e demora na tomada de decisão, que poderiam ter amenizado a crise econômica, mas não a crise política.
Temer assume prometendo retomar o crescimento econômico, fazer reformas estruturais, diminuir o desemprego e fazer o país voltar a crescer de maneira sustentável, infelizmente o presidente não conseguiu atingir seus objetivos, e vou explicar o porquê.
O PIB voltou a crescer, em 2017 – 1,0% e em 2018 – projeção de 1,30%, porém o resultado positivo de 2017 advém de um “empurrãozinho” da agropecuária com uma super-safra recorde e um crescimento de 13% no ano que não se repetiu em 2018, o valor projetado para 2018 está ligado a ociosidade do mercado, durante quase quatro anos as pessoas, empresas deixaram de consumir, qualquer movimentação, mínima que seja gera um impacto grande, haja vista que as bases de comparação são baixas.
As taxas de inflação caíram, mas cabe ressaltar que uma taxa de inflação muito baixa significa uma economia parada, estagnada, outro sinal que infelizmente não retomamos um crescimento sustentável.
A taxa de desemprego saltou de 8,5%¨em 2015 para 12,4% em 2018, com quedas muito pequenas entre 2017/2018 já o crescimento do salário mínimo passou de 8,84% em 2015 para 1,81% em 2018. A indústria, a maior demandante de mão de obra qualificada e consequentemente paga salários mais altos, teve queda na sua produção física, de 2,6% em 2017 para 1,8% em 2018.
O que aconteceu no governo Temer foram reformas que podem gerar sérios problemas futuros, como a PEC do TETO, isso porque ao congelar os investimentos dificultou o cumprimento da regra de ouro – se endividar num montante que supere o investimento – e com isso criar um crime de responsabilidade fiscal. A grande questão é quem cria o orçamento de 2019 é o atual governo, e como a estimativa de endividamento público tende a aumentar e o crescimento da receita se limita ao crescimento do PIB 2018 o próximo governo estaria com uma bomba nas mãos, sem dinheiro para custear a máquina pública.
A reforma trabalhista, que sucateou as relações de trabalho entre patrão e empregado e não se mostrou eficiente para aumentar o volume de contratações e movimentar o mercado de trabalho, haja vista que a taxa de desemprego não apresentou quedas consideráveis como foram prometidas.
Tivemos agravos sociais, voltamos ao Mapa da Fome , conforme dados da ONU, é a primeira vez desde 2010 que não avançamos no IDH (índice de Desenvolvimento Humano), estamos estagnados desde 2014 em 0,754 (quanto mais próximo de 1 melhor o indicador).
A gestão Dilma e Temer, alinhada a um Congresso Nacional irresponsável, comprometido unicamente com seus interesses pessoais ao invés dos interesses do povo que os elegeu, permitiu que a população brasileira, uma população que recebe em média R$ 1.268 conforme dados do IBGE de 2017 enfrentasse a maior recessão econômica para que eles pudessem fazer seus jogos de poder.
Fechamos então, o último balanço do governo vigente com a triste percepção que o governo trabalhou para as minorias detentoras do poder neste país.
Abaixo apresentamos um quadro com os números do Governo Dilma/Temer:

Fonte: IBGE
Elaboração: Própria
* dados do ano em exercício
** em relação ao ano anterior

Pamela Sobrinho é economista e Conselheira do CORECON-MG