O dia que encontrei meu filho

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Pai e filho. Foto: Pixabay/ Divulgação.

Seis meses depois e minha angústia continuava a crescer. Disseram-me que seria diferente depois que ele nascesse. Nós o queríamos. Só engravidamos quatro anos depois de casados. Meus amigos me diziam: pode ficar tranquilo, quando colocá-lo nos braços essa angústia vai passar. E assim eu quis acreditar.

Minha esposa já o sentia, conversava com ele e pedia que eu também conversasse. Eu falava algumas poucas palavras para agradá-la, mas cada conversa me deixava mais angustiado. Eu não via um filho, via apenas uma barriga que, a cada dia, crescia e começava a formar pequenas estrias.

Toda essa situação, com todos em volta naturalmente apaixonados, e eu me perguntando: porque eu não consigo amá-lo? E assim foi durante os nove meses. Quando ele nasceu, tentei acreditar naquele conselho: “quando você colocá-lo no colo, toda essa angústia vai passar”. Como eu queria que isso fosse verdade. Infelizmente, não foi.

Quando o peguei pela primeira vez, senti apenas o que sempre sentia quando via um recém-nascido: fragilidade. Minha angústia aumentara: será que sou incapaz de amar de verdade? Como um pai pode não sentir nada pelo filho? Com o passar dos primeiros meses, as coisas só pioraram. Ele mamava o tempo todo, dormia pouco e, se minha mulher, que já conversava com ele há quase um ano, estava mal e nervosa, imagine eu que não conseguia sentir nada a não ser angústia. E, pior que isso, ele não precisava de mim.

Minha sensação era que ele nem sabia quem eu era. E assim foi até os seis meses. Um dia qualquer do mês de setembro de 2006, cheguei em casa e sentei no chão da sala. Minha mulher passou carregando a criança e me pediu para segurar. Sem levantar do chão eu o peguei. Coloquei-o nas minhas pernas e ele começou a me olhar. Não foi um olhar comum. Ficamos em completo silêncio durante mais ou menos um minuto. Apenas nos olhávamos.

Não era um olhar normal, era um olhar de profunda descoberta. Não precisou de palavras, não precisou de nada. A gente tinha se encontrado seis meses depois de seu nascimento. Eu chorei. Ele passou as mãozinhas na minha lágrima. Naquele momento, nos encontramos. Eu era pai e ele era meu filho. E, desde então, estamos juntos.

Thiago Carmona é publicitário, pós-graduado em gestão administrativa e tem MBA em Gestão de Pessoas. Também é palestrante e humorista.
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