Novembro Azul alerta para a queda de exames de próstata na pandemia

1230
Foto: Reprodução Internet

O diagnóstico precoce do câncer de próstata amplia as chances de cura em 90%

Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca),  mostrou que em 2020, foram diagnosticados 65.840 novos casos de câncer de próstata. A doença é uma das neoplasias com maior número de mortes: cerca de 16 mil óbitos no ano de 2019. Os especialistas estão preocupados porque, nos dois anos de pandemia (2020 e 2021), houve queda no número de exames para detecção da doença. Por isso, este ano, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) traz para a campanha Novembro Azul o tema – “Saúde Também é Papo de Homem”.

Segundo o Ministério da Saúde, a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) caiu cerca de 27% e de biópsia da próstata, 21%. Esses dois procedimentos mais o exame físico (toque retal) são fundamentais para o diagnóstico da neoplasia. “O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros (atrás apenas do câncer de pele não melanoma) e o diagnóstico em fase inicial não só amplia as chances de cura, que podem chegar a 90%, como também aumenta a expectativa e a qualidade de vida do paciente”, explica o urologista cooperado da Unimed-BH Eyder Leite Ferreira.

A doença é silenciosa, apresentando sintomas apenas em sua fase mais tardia, como sangue na urina, dificuldade para urinar, obstrução do jato urinário e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. A combinação de medo, aliada ao preconceito do exame físico (toque retal) e ao período de pandemia levou muitos homens a adiarem o diagnóstico, procurando um médico após o aparecimento de sinais e sintomas, o que reduz a chance de sucesso no tratamento.

RASTREAMENTO

O especialista ainda explica que por ser  uma doença muito comum, a recomendação é que, a partir dos 50 anos, todo homem procure o seu médico de referência, para que seja avaliado e discutido os potenciais benefícios do rastreamento do câncer de próstata. Já, no caso de homens que têm histórico familiar de primeiro grau com câncer de próstata antes dos 65 anos ou são afrodescendentes, a consulta para o rastreamento deve ser a partir dos 40 ou 45 anos.

As principais causas da doença estão relacionadas à idade, fator familiar, etnia, sedentarismo e alimentação não adequada, excesso de peso e obesidade. Para o urologista, o apoio da família é fundamental para incentivar o homem a vencer o preconceito e procurar acompanhamento médico, a fim de realizar o rastreamento da doença, bem como para adotar hábitos saudáveis.

“Praticar atividades físicas regulares e manter uma alimentação balanceada garantem não apenas uma melhor qualidade de vida como um tratamento mais efetivo contra o câncer de próstata”, orienta o médico.

A Campanha Novembro Azul, de acordo com o especialista, é importante pois informa a população sobre a prevenção, derrubando possíveis preconceitos, além de ser uma grande oportunidade de estimular o homem a cuidar da saúde. Ele destaca que, mesmo diante do cenário da covid-19, deve-se procurar o médico e, para isso, é importante manter as medidas de segurança e proteção contra o novo Coronavírus.

“Felizmente, após um período com menos procura, devido à pandemia, a boa notícia é que as pessoas estão voltando aos consultórios para realizar exames rotineiros. A saúde é um assunto sério e deve ser priorizada”, conclui Ferreira.