PCMG afirma que Marília Mendonça e outras quatro vítimas do acidente aéreo morreram por politraumatismo

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Avião bimotor era alugado pela cantora e transportava cinco pessoa. Divulgação: CBMMG

Antes de cair, o piloto vítima havia se comunicado com o piloto de outro avião que estava atrás dele e também iria pousar em Caratinga, e não relatou nenhum problema com a aeronave 

A Polícia Civil de Minas Gerais liberou na tarde desta quinta-feira (24), os laudos periciais das cinco vítimas do acidente aéreo em Piedade de Caratinga, ocorrido no dia 5 de novembro. Dentre os acidentados estava a cantora Marília Mendonça de 26 anos.

O superintendente de Polícia Técnico-Científica da PCMG, médico-legista Thales Bittencourt, e os trabalhos realizados no Instituto Médico Legal Dr. André Roquette (IMLAR), em Belo Horizonte, concluíram que a cantora e todos os ocupantes morreram em razão de um poli traumatismo contuso, motivado pelo impacto da aeronave ao solo.

“Foram realizados exames complementares, como toxicológico, de teor alcoólico e anatomopatológicos, que indicaram que as vítimas não estavam intoxicadas nem apresentavam doenças preexistentes que poderiam ter associação com os óbitos”, revela o médico-legista.

O delegado regional de Caratinga, Ivan Lopes Sales, que está a frente do inquérito policial, informou que a Polícia Civil já conseguiu descartar algumas das hipóteses levantadas, como a possibilidade da aeronave ter sido atingida com um disparo de arma de fogo. “Agora, com as evidências apresentadas pela perícia técnica, podemos descartar também a hipótese de um mal súbito por parte do piloto e do copiloto”, afirma.

Um piloto de um avião que saiu de Viçosa, também com destino a Caratinga, cerca de 20 minutos depois da aeronave envolvida no acidente, foi ouvido. Ele relatou que chegou a se comunicar por rádio com o piloto da aeronave que levava a Marília momentos antes do acidente, e afirmou que o piloto não relatou qualquer problema com o avião.

“Além disso, ele disse que o piloto vítima comunicou que já estava em procedimento de pouso, ou seja, levaria entre um minuto a um minuto e meio para pousar, quando provavelmente se chocou com uma rede elétrica”, informa Sales, chamando a atenção ao fato de que isso não significa que se possa atribuir culpa, até o momento, à companhia responsável pela transmissão de energia.

A polícia agora aguarda o resultado do laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), para saber se o cabo encontrado nos motores do avião era mesmo o cabo de rede da Cemig.

Até o momento foram ouvidos o piloto, o advogado e o proprietário da empresa responsável pelo táxi bimotor. Agora, a PCMG deve solicitar o depoimento dos familiares do piloto e do copiloto vítimas do acidente. 

“Estamos respeitando o período de luto dessas famílias, afinal, estão muito sensíveis ao que ocorreu. Assim, devemos ouvi-las em breve”, pontua Sales, afirmando que os laudos que serão produzidos pelo Cenipa deverão contribuir para as investigações da PCMG para apurar a possibilidade de um crime.

*Estagiária sob supervisão