Crônica: Reflexões Pós- Carnaval

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Foto: Google Imagens- Reprodução Facebook

Há muito tempo não escrevo. Tenho crises de imaginação para colocar as palavras no
papel. Digito. Leio. Releio. Deleto. Faz parte do processo de todo escritor e, eu,
particularmente, não gosto de escrever por obrigação, ainda mais quando um feriado se
aproxima e entro no clima do descanso que ele oferece. Logo, o cérebro só quer saber das
fantasias do carnaval. E o ofício da escrita é por amor. Sou um contador de histórias. Conto
uma a cada exemplo que vou elaborar nos diálogos. Casos de carnaval não faltam no meu
repertório, por isso, o assunto desta crônica fluirá como um desfile das escolas de samba.
Indo no ritmo…

Um dia me perguntaram se gosto de carnaval, já que não me encontram em nenhum bloco,andando atrás de trio elétrico. E respondo sem fazer grandes reflexões, pois, realmente, essa visão é rara. Evito a multidão, a bebedeira, os xixis nas portas dos vizinhos, o empurra-empurra, o glitter, o cheiro de álcool impregnado nos foliões e a ausência de desodorante em muitos corpos. Mas eu gosto da folia, da animação do povo, da necessidade que o brasileiro tem de extrapolar todos os limites em busca de felicidade. Amo as músicas, a disputa de qual hit será sucesso, as fantasias, o feriado, o desfile na Sapucaí, o samba.

Carnaval é cultural e, nesse sentido, sempre terá meu respeito. Brasil não é o Brasil sem a
festa. Aliás, o País é um carnaval em qualquer época do ano. A data em si marca a tradição. De fevereiro (ou março) a fevereiro, o que acontece entre é pré-carnaval. Micaretas, festivais, rodas de samba, até rock, frevo, toada, e outras danças e ritmos folclóricos entram no script.

Carnaval é a nossa alegria em curtir a vida. Já curti muito: bandas na Praça da Estação em
Bom Despacho, praias do Espírito Santo, marchinhas em Ouro Preto, axé em Salvador,
bloquinhos de Belo Horizonte, samba no Rio de Janeiro com direito à fantasia na Marquês
de Sapucaí, camarotes, cachoeira na Serra do Cipó, piscina em Lagoa Santa e em Abaeté,
Netflix e Amazon e 12 filmes em casa (em apenas dois dias). Curtindo um pouco de cada
jeito de se viver o carnaval. Por que excluir o que se pode experimentar, não é mesmo?
Ainda não tenho no currículo uma folia no exterior.