“Com amor, insegurança!

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Foto: Reprodução Internet

Aos meus colegas de trabalho,

Fico muito feliz todos os dias com o seu trabalho e venho através desta carta agradecer a eficiência e como tem sido feito. É muito difícil para mim que estou dentro de cada ser humano vivente (principalmente dentro de você), realizar o meu propósito. O que você tem feito é maravilhoso (para mim) e tenho colhido muitos frutos com isso.

Afinal, sozinha eu não conseguiria me espalhar; como eu disse estou dentro de cada um de vocês que andam em duas patas, mas alguns são bem osso duro de roer e conseguem me expulsar para bem fundo de suas mentes, me prendendo em baús horríveis de se viver, onde passo horas trancada com fome.

Você tem me alimentado quando fala para todos daquela orelha estranha, do gordo, do feio, da sem bunda, da magricela, da sem peito, quando “tira sarro” dos pequenos, ou dos mais fracos, dos mais tímidos e dos mais burros. Você me aquece quando critica a roupa de alguém, quando inventa alguma coisa que não existe, quando fala de algo que não viu, quando questiona a sexualidade alheia e etc. E se tornou um gênio, ao driblar toda situação ruim dizendo que “era só brincadeira”!

Então, por isso e por tantas outras coisas, que gostaria de demonstrar minha gratidão lhe dando uma promoção. Você começou como estagiário/a, mas agora pode dizer que é gerente de Bullying. De que outra maneira, eu a insegurança, iria crescer, me espalhar e ficar forte dentro de cada um de vocês. Não pense que é só isso, você fortalece consequentemente as minhas irmãs, a angústia, a ansiedade, a depressão e a baixa autoestima. Você faz nossa família feliz! E o meu pai, o medo está feliz em saber de que lado você está, do nosso. Custe o que custar! (para você).

O bullying é coisa antiga, ganhou nome chique a pouco tempo, mas está empoeirado como qualquer velharia desse mundo. Quem será que pode dizer que nunca sofreu bullying? Talvez, quem tenha feito o papel de agressor ou quem não tenha percebido tal crueldade. Uma educação mais consciente vem sendo trabalhada para que esse tipo de comportamento seja cortado ainda cedo. Nas escolas tentam abordar esse e outros temas, mas se o incentivo vem de casa pode ajudar muito. Os desdobramentos do bullying quando não evitado seja na sala de aula, família, rua ou grupo de amigos pode causar danos a longo prazo.

O que machuca e ofende não é brincadeira. Ignorar quem esteja sofrendo Bullying é quase a mesma coisa que negar socorro.

Fernando Miranda é Psicólogo Clínico, atuante na cidade de Betim, formado pela PUC Minas e pós-graduando em sexualidade humana. Atende presencialmente e pela modalidade on-line para brasileiros em qualquer parte do mundo.

Mais informações acesse a@casa.psi no Instagram.