Casos suspeitos de intoxicação por síndrome supostamente relacionada a cerveja chegam a 17

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Belorizontina, cerveja da Backer.

Ministério da Agricultura ordenou o recolhimento de todos os produtos da Backer nesta segunda-feira (13)

Os casos de suspeita por intoxicação por dietilenoglicol, encontrado em três lotes da cerveja Belorizontina, da Backer, chegaram a 17 em Minas Gerais. De acordo com balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), das vítimas, 16 são do sexo masculino e uma do sexo feminino. Quatro casos foram confirmados, sendo que um homem morreu. Os 13 restantes continuam sob investigação, pois apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição.

Nesta segunda, a Polícia Civil apresentou o resultado da perícia realizada na substância recolhida no tanque de refrigeração de um dos tonéis usados na produção da cerveja. As investigações deram positivo para o dietilenoglicol.

A substância já havia sido detectada em amostras de duas cervejas dos lotes L01 1348 e L02 1348, que foram fornecidas pelos familiares das vítimas de intoxicação, logo no início dos trabalhos de polícia judiciária.O sangue dessas pessoas foi analisado e também foi detectada a substância.

O chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado-geral Wagner Pinto, explicou que o objetivo agora é entender como se deu a intoxicação. “Neste contexto há uma necessidade premente do trabalho pericial. Hoje, podemos afirmar que há compatibilidade dos sintomas da síndrome nefroneural com o dietilenoglicol”, analisou. A síndrome provoca insuficiência renal e alterações neurológicas.

Recolhimento das prateleiras

Na noite desta segunda-feira o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) intimou a Cervejaria Backer a recolher do mercado, além da cerveja Belorizontina, todos os produtos fabricados no período de outubro de 2019 até a presente data. A medida é para preservar a saúde dos consumidores.

“As análises exploratórias, realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária nas amostras dos produtos Belorizontina e Capixaba, confirmaram a presença dos contaminantes monoetilenoglicol e dietilenoglicol. Até o momento, três amostras foram analisadas. Estes produtos já estavam e continuam sendo retirados do mercado, por recolhimento feito pela própria empresa e por ações de fiscalização e apreensão dos serviços de fiscalização do Mapa”, informou a pasta, por meio de nota.

O Mapa já havia realizado o fechamento cautelar da unidade Três Lobos, da Cervejaria Backer, localizada em Belo Horizonte, bem como a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope. Também foram lacrados tanques e demais equipamentos de produção.

De acordo com comunicado a Backer informou que engtrou na Justiça contra o recall solicitado pelo Ministério da Agricultura.

A cervejaria ainda informou que não faz uso do dietilenoglicol em seu processo produtivo e que o episódio apurado pelas autoridades limita-se ao lote “Belorizontina”, não tendo relação com os demais rótulos da empresa, que possui processos autônomos de produção.

Devolução em BH

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte está recebendo cervejas da marca “Belorizontina”, de qualquer lote, de moradores de Belo Horizonte que possuam o produto para consumo próprio. Não serão recebidos produtos de bares, restaurantes e supermercados. O material ficará sob custódia da Secretaria Municipal de Saúde para encaminhamento das investigações necessárias.

A entrega deve ser feita de segunda a sexta, das 8h às 17h, nos seguintes endereços:

  • Barreiro: Avenida Olinto Meireles, 327 – Barreiro
  • Centro-Sul: Avenida Augusto de Lima, 30, 14ª andar – Centro
  • Leste: Rua Salinas, 1.447 – Santa Tereza
  • Nordeste: Rua Queluzita, 45 – Bairro São Paulo
  • Noroeste: Rua Peçanha, 144, 5º andar – Carlos Prates
  • Norte: Rua Pastor Murilo Cassete, 85 – São Bernardo
  • Oeste: Avenida Silva Lobo, 1.280, 5º andar – Nova Granada
  • Pampulha: Avenida Antônio Carlos, 7.596 – São Luiz
  • Venda Nova: Avenida Vilarinho, 1.300, 2º Piso – Parque São Pedro