Caminhos para o desenvolvimento sustentável e justo

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Muitas são as variáveis associadas ao desafio de conciliação entre desenvolvimento, sustentabilidade e justiça, pois importa considerar particularidades e generalidades que vão além do balanço financeiro das empresas. Particularidades, por exemplo de pessoas que têm fomes diferentes. Generalidades da globalização que agora conecta o sul e o norte.

É preciso mais que entender. É preciso sentir que “caminho” implica em “durante”, em “fazer junto”. O sustentável não é algo pronto, à mão na prateleira. Precisa ser construído, pois a natureza não dá saltos e todo resultado de violência e rupturas drásticas é por si só inconsistente, pois implica quase sempre em imposição.

Precisamos moralizar nossa conduta de tal modo que entendamos que nos encontramos num ambiente altamente sinergético, onde toda ação implica em uma consequência. Logo, precisamos renunciar ao “eu exclusivo” e assumir o “eu coletivo”, agindo minimamente da forma que gostaríamos que agissem conosco e com o que usufruímos. Não somos proprietários de nada material. Somos meramente depositários de todos os recursos, e como tal, temos responsabilidades solidárias.

Não é possível perseguir o desenvolvimento com base no “crescimento pelo crescimento”, sem marginalizar muitos dos atores envolvidos no caminho. Todos têm direito à recompensa, independente de em qual momento se apresentaram.

Há que se continuar o fomento das discussões em torno do tema, envolver mais pessoas, ampliar a comunicação e a informação, quebrar paradigmas vigentes e derrubar modelos mentais enferrujados. Os responsáveis, seja pela descoberta, pela inovação ou pela adaptação, têm que se posicionar, pois a aldeia global está remando no mesmo barco, e na meritocracia verdadeira, quem sabe mais e é maior, tem compromisso com quem sabe menos e é menor.

É preciso repensar nosso condicionamento de sempre decidir pelo menor esforço e no curto prazo. A felicidade real, construída através da valorização do simples, e pelo repouso da consciência tranquila, tem que entrar na contabilidade da “riqueza interna bruta”.

Sou do tempo em que status corporativo significava vaga de garagem demarcada para um carro novo. Hoje, quem “manda bem” é aquele que pode abrir mão de trabalhar na sexta para cumprir uma agenda pessoal, individual ou com a família, sem se sentir culpado…

 

Paulo Taveira, é educador ambiental, químico de formação, professor e consultor de profissão e autor do site fosfatize.com.br