“Berenice, se segure! Nós vamos bater!”

1411
Ansiedade. Foto: Pixabay/ Divulgação.

Uma máquina que trabalha em altas velocidades necessita de estruturas e energia para que possa suportar tal ritmo de funcionamento (estamos falando da mente humana). Mas como diminuir o ritmo de uma mente que atinge velocidades prejudiciais ao corpo e a psiquê? Frente a esse tipo de evento, algumas pessoas sentem um impulso à continuar correndo e silenciando o que o corpo e mente pedem, mas como ouvir? Ou como entender essa mensagem?

Dessa maneira, uma crise pode se instalar quando algo sai “errado”. Freios de segurança são ativados e o maquinário pode derrapar na pista molhada como um carro em alta velocidade em um dia chuvoso. É aí que entendemos que algo se encontra fora do eixo, sintomas começam a aparecer e você não entende como controlar aquelas sensações e acontecimentos. O volante sumiu, e agora? Como estar no controle?

Conseguiu acompanhar as metáforas utilizadas até aqui como pano de fundo para abordar a ansiedade? Espero que sim! Nem todas as pessoas aprenderam a interpretar a linguagem utilizada por si mesmo (corpo e mente) para indicar que limites foram ultrapassados. Isso evidencia que estruturas não foram desenvolvidas para aguentar o “tranco” da aceleração, que nem sempre é feita de forma voluntária.

A base da ansiedade é se preocupar com possíveis acontecimentos, a palavra chave é possibilidade. Você conhece alguém que faz planos de A a Z, que pensa em mil e uma possibilidades, que atropela as palavras por causa de muitas ideias e que não dorme algumas vezes por ficar quebrando a cabeça com algo que ainda não aconteceu? Essas são algumas características de pessoas ansiosas, mas não são as únicas. Sobre aquela palavra chave, nem sempre tudo o que você pensa vai de fato acontecer, é preciso diferenciar a possibilidade do que é real.

Os sons do mundo lá fora não cessaram com o isolamento domiciliar imposto pela pandemia, porém, nem todos tiveram o privilégio de trabalhar em casa. Contudo, inúmeras vezes, o que tentamos calar e o que se sobressai dentro de cada um de nós, são os questionamentos, como lembranças, autocobrança, pendências, desejos e outros. Com o isolamento social, passamos mais tempo com nossos próprios pensamentos e dilemas.

Junto disso, a expectativa do amanhã some em meio a idas e vindas de uma viagem cansativa entre passado e futuro, uma vez que a ansiedade pode também se ancorar no passado com o medo de repetir o que foi doloroso trazendo a tona as angústias. Onde estará o presente? É uma pergunta que algumas pessoas ansiosas esquecem de se fazer, quando mergulhadas em dilemas infindáveis no encalço das possibilidades e sintomas. Presas no que já aconteceu ou no que pode acontecer, deixam o agora de lado, viajando incessantemente pelas mais diversas ideias.

Poucas são as pessoas que chegam até o consultório, sem evidenciar um processo ansioso, ainda mais em tempos pandêmicos. Dessa maneira, mesmo sob o relato de uma demanda diferente, aos olhos treinados, a ansiedade aparece, acenando e sorrindo, enquanto o maquinário se encontra em exaustão, tendo que lidar com tantos pensamentos e sensações, ocasionando medo e angústia. O que infelizmente, pode emergir como sintomas que identificamos no corpo, na fala, no pensamento e no comportamento.

Mesmo parecendo bobagem para algumas pessoas, a ansiedade pode ir de “uma simples pedra no sapato” até alterações negativas de diversos âmbitos da vida, dentre estes: relacionamentos, trabalho, estudo, vida sexual, planejamentos e outros. Sendo assim, é preciso buscar ajuda especializada, como digo aos meus pacientes: Mesmo que o faça com todas as forças, correr dos problemas, além de não ser saudável não trará resultados.

Se questione, a longo prazo, qual o resultado de sempre correr dos seus dilemas e questões? Calar os questionamentos que vêm de dentro pode não resultar em paz mas talvez, em sobrecarga. Busque ajuda especializada.

Fernando Miranda é Psicólogo Clínico, atuante na cidade de Betim, formado pela PUC Minas e pós-graduando em sexualidade humana. Atende presencialmente e pela modalidade on-line para brasileiros em qualquer parte do mundo. Mais informações acesse a @casa.psi no Instagram.