Análise de Conjuntura Econômica

42

No mês de março ficamos conhecendo o PIB Brasil 2018. Diferentemente das projeções iniciais de crescimento de 2,7%, concluímos o ano com um pífio resultado de 1,1%, o mesmo de 2017. A estagnação da renda per capita fruto de uma insuficiência crônica da demanda, consequência do alto desemprego das famílias e o aumento das desigualdades tem impedido a retomada do consumo. Outro fator importante para a estagnação, foi ocasionada pelo setor externo com as brigas comerciais entre EUA x China que dificultam nossas exportações. Para atenuar a estagnação, mesmo com a inflação em queda o BC manteve a taxa Selic inalterada, reduzindo o investimento do setor privado, que num contexto de inércia não tinha incentivos para o mesmo, caso o Banco Central tivesse reduzido a taxa básica de juros, mesmo diante do crescimento lento das vendas e do endividamento das famílias acumulado dos anos anteriores, os empresários poderiam ter tido um incentivo ao investimento.

Porém, mesmo com se houvesse uma redução na taxa Selic, a única solução plausível para o crescimento sustentável e de longo prazo e solucionador para a desolada economia brasileira seria uma elevação dos impostos das classes mais favorecidas da economia e a expansão do investimento estatal em infraestrutura, que garantiria o efeito multiplicador gigantesco sobre o emprego e a renda e não afetaria as contas públicas, pois com mais renda e emprego, haveria mais consumo e com isso consequentemente mais impostos, elevando assim os recebíveis governamentais. Porém o Estado não pode fazer tais investimentos, pois está de mãos atadas por conta da PEC do Teto.

Ou seja, estamos entrando em mais uma década perdida na economia brasileira, por conta de soluções miraculosas que vem aparecendo desde 2015, primeiro com o impeachment de Dilma, depois com a PEC do Teto – que seria a alternativa para dar credibilidade ao Estado Brasileiro – posterior veio a Reforma Trabalhista, com a promessa de aumentar o número de postos de trabalho e na verdade foi um fracasso no campo de contratações e precarizou as relações de trabalho entre trabalhador e empregador.

A bola da vez é a Reforma da Previdência, ao invés de vir com uma proposta e corrigir as tendências de crescimento das despesas advindas do envelhecimento populacional ou corrigir as injustiças sociais criadas pelo sistema, vem com a promessa de “fazer o país crescer”, assim como as demais propostas vieram e não fizeram o país crescer, mas sim ficar estagnado economicamente e aumentar ainda mais as injustiças sociais.

As sucessivas frustrações acometidas pelos governos deveriam ensinar que, nem tudo que faz agitação no mercado financeira implica na retomada do consumo das famílias e faz com que as empresas exportem e invistam em nosso país.