A bolinha da discórdia

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Foto: Pixabay/ Divulgação.

Tenho três filhos homens. Em uma grande parte do tempo que passam juntos, eles se dão muito bem. Mas existem “alguns momentos” que eles brigam. As brigas, em sua maioria, possuem, como pano de fundo, algum tipo de competição. Não interessa se o brinquedo está jogado em um canto há uns dois anos sem ninguém ao menos olhá-lo. Basta apenas que um dos irmãos resolva pegar o brinquedo que os outros vão desejá-lo ardentemente. Esses dias, fui com eles visitar um amigo. Enquanto conversávamos na varanda, eles foram brincar no amplo quintal da casa. Poucos minutos depois notei que estavam discutindo e comecei a prestar atenção:

– Eu quero brincar com a bolinha! – Dizia o do meio.

O mais velho retrucava:

– Me dá! Eu só quero ver.

Enquanto isso, o mais novo, com suas mãozinhas pequenas, segurava a bolinha com força, escondendo-a, colocando suas mãos para trás. Ele, na sua longa experiência de quatro anos de vida, sabia que, a qualquer momento, um dos irmãos, como uma naja do sul da Índia, daria o bote e tomaria a bolinha de suas mãos.

Assim, totalmente acuado e percebendo que deveria tomar uma atitude, o pequeno filho usou sua arma mais potente: um berro enorme, seguido de um Ô PAAAAAAAIIIIIIIIIIIII, continuado por um dolorido e estridente choro eterno. Chamo de eterno porque cheguei à conclusão que se um adulto não chegar perto, ele nunca mais para de chorar. Lembre-se, não é um choro verdadeiro de sofrimento, é uma arma de manipulação. Se o adulto não chegar, ele não poderá fazer mais nada. Vendo toda aquela situação, levantei e fui me aproximando. Tive a impressão de notar um leve sorriso na boca do filho menor. Algo como: – “Consegui o que queria!” Mas acredito que foi só impressão.

Estavam assentados debaixo de uma árvore. Aproximei-me e me acomodei do lado deles. Nesse instante, percebi que a bolinha se tratava, na realidade, de um limão. Sorrindo e olhando para os três, levantei minha mão na altura da cabeça do filho mais velho e peguei mais duas bolinhas no pé. Sim! Eles estavam debaixo do pé de limão.

Em cima da nossa cabeça existia, tranquilamente, mais de quinhentas bolinhas. Bastou deixar todos felizes sendo possuidores de suas próprias bolinhas que, em poucos minutos, todos já tinham jogado suas bolinhas fora e correram para sentar embaixo de um pé de manga. Desde então tenho chamado meus três filhos de: direita, esquerda e centro. Brincam juntos, fazem cagadas juntos, mas vira e mexe começam a brigar tentando tomar o que está na mão do outro.

Thiago Carmona é publicitário, pós-graduado em gestão administrativa e tem MBA em Gestão de Pessoas. Também é palestrante e humorista.
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