Dez dicas valiosas para começar 2020 com o “Pé Direito” nas finanças

509

Uma das primeiras notícias do setor econômico brasileiro de 2020 veio diretamente do Ministério da Economia. Segundo o órgão do Governo, a balança comercial teve mais de US$40 bilhões de superávit em 2019.

Segundo o G1, “o resultado positivo do ano passado registrou uma queda de 19,6% em relação ao ano de 2018 – quando as exportações superaram as compras do exterior em US$ 58,033 bilhões (valor revisado) ”.

Este recuo chega num momento conturbado na economia dos brasileiros. “Além disso, também sofreu as consequências da crise econômica na Argentina, importante mercado comprador de produtos brasileiros, e da guerra comercial entre Estados Unidos e China”, explica o portal.

E meio a boas e más notícias na economia, chegam também as famosas contas de início de ano: IPVA, IPTU, material escolar, matrícula etc. Para tentar aliviar um pouco a sua tensão quanto ao assunto, conversei com o professor de economia e finanças e coordenador regional pós-graduação Una, Cleyton Izidoro, que além de nos tirar boa parte das dúvidas deixou 10 dicas fresquinhas para você começar o ano com o famoso “pé direito” nas finanças. Confira a entrevista na íntegra:

  1. Com o possível crescimento de 0,8% do PIB em 2019, segundo o Jornal O Estado de São Paulo, a economia no primeiro semestre de 2020 pode crescer?

R – O Crescimento de 0,8 do PIB em 2019 ainda que pequeno é uma boa notícia. Depois de um período de recessão (inflação sem crescimento). Historicamente no primeiro ano de um novo governo sempre é complicado, pois existem incertezas sobre sua política econômica e os rumos das políticas públicas.

Para 2020 a projeção do Relatório Focus projeta um crescimento de 2% do PIB. Esta previsão é um bom sinal para o mercado. O Brasil voltará a crescer com solidez necessária.

Os empresários precisam sentir confiança para realizar seus investimentos e aumentar a produção. Da mesma maneira o consumidor precisa ter o sentimento de confiança nas políticas governamentais para realizar suas compras, ou seja, é um ciclo.

 

  1. E o mercado de trabalho, você estima em quantos por cento de melhora ou piora no ano que vem?

R – Em dezembro de 2019 a taxa de desemprego foi reduzida para 11,2%, a menor taxa desde junho 2016. Esta taxa no primeiro trimestre de 2019 era 12,4%.

A taxa de desemprego não terá uma redução muito grande a ponto de alcançar o pleno emprego em 2020, mas terá uma redução contínua.

Com o crescimento do mercado, novas postos de trabalhos serão criados e profissionais qualificados serão necessários para ocupar essas posições.

Sendo uma estimativa bem positivo fechamos 2020 próximo dos 10% de taxa de desemprego.

  1. Ainda sobre o mercado, você acha que 2020 será um bom ano para criação de empresas e empreendimentos?

R – Empreender sempre é um desafio. O cenário de investimento no Brasil em 2019 e 2020 mudou, com a baixa na taxa básica de juros (a taxa Selic) os investimentos com risco baixo não são mais atraentes, remuneram a uma taxa menor ou igual a inflação. Ou seja, ganho zero.

Neste cenário o governo está sinalizando que criar empresas e empreender é o caminho para caminho para ganhar dinheiro. Segundo o Ministro da Economia Paulo Guedes no mercado brasileiro não terá espaço para ganhar dinheiro com especulação sem risco, quem estiver disposto a investir dinheiro em meios de produção terá oportunidade de ganhar dinheiro.

As oportunidades estão abertas para 2020 com um cenário com muitas oportunidades, mas é importante estudar muito bem o mercado que irá empreender, analisando o potencial de mercado, os clientes, os concorrentes e buscando sempre um diferencial para se destacar dos outros. Não esqueça de ter um preço adequado a região e que margem de lucro faça sentido ao seu esforço.

  1. Além do preço da carne vermelha, quais produtos poderão estar e alta nos próximos meses?

R –Em outubro de 2018 o “vilão” era o tomate que estava com os preços bem acima que normal, na Região metropolitana de Belo Horizonte Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou aumento de 104,59%.

No ano de 2019 o preço da carne vermelha disparou com o aumento das exportações para Ásia devido uma doença que atingiu o rebanho de porcos na região, e os produtores não tinham bezerros na mesma proporção para acompanhar a demanda.

Elevação de preços de produtos agrícolas dependem de uma série de fatores, sejam eles climáticos, mercadológicos e até políticos.

Em períodos de entressafra os preços tendem elevar e gerar distorções mercadológicas.

Um ponto de observação para os próximos meses será o preço do etanol, pois produção a cana-de-açúcar é destinada para produção do etanol ou do açúcar, sendo que a decisão é baseada no preço e dos estoques internacionais de açúcar.

Nós temos que procurar sempre produtos substitutos para não apertamos o orçamento doméstico. Quando um preço de um determinado produto subir muito e realmente deixar de usar aquele produto e trocar por outro, como por exemplo trocar manteiga por margarina, trocar carne bovina por frango.

  1. Segundo o Ministro da Economia, Paulo Guedes, a previsão é que o salário mínimo aumente para R$1.039 em 2020. Tendo este aumento, em quantos por cento pode melhorar, ou não, no orçamento do trabalhador brasileiro (um valor estimado)?

R –O ganho é de pouco mais de 0,5% comparado com a inflação no mesmo período. Na prática, os preços são elevados mais que reajuste do salário mínimo. O salário mínimo é uma referência, no entanto tem impacto direto nas contas da previdência e nos gastos do governo.

Para os aposentados este valor não pode ser negociado, mas para os empregados da iniciativa privada pode ser uma oportunidade para negociar melhoria salarial e metas para 2020.

  1. Teria alguma “fórmula” para que as contas fechem (ou fechassem) de maneira positiva em 2019?

R – A fórmula é planejamento e organização. Seguir alguns passos para mapear como está o comportamento da vida financeira e como saber como fechou o balanço de 2019.

– Primeiro ponto é listar tudo aquilo que ainda não foi pago para saber o tamanho da dívida, — Verificar se o saldo atual é suficiente para quitar as dívidas em aberto;

– Verificar se os valores a receber são suficientes para quitar essas dívidas, se sim ótimo, programe os pagamentos e comece 2020 sem dívidas.

– Se ainda assim não for suficiente você precisa rever urgentemente suas contas e seu gastos.

Precisa revisar seu estilo de vida pois não está de acordo com os rendimentos.

Comece cortando gastos supérfluos, que neste momento você não pode ter, mas pense que no futuro quando você estiver com a vida financeira equilibrada poderá fazê-lo de maneira equilibrada.

  1. Em 2019, as compras de natal obtiveram um aumento de 24%, a maior porcentagem desde 2014 (economistas acreditam que seja pelo fato de o Governo do Estado ter liberado parte do FGTS). Janeiro e fevereiro são os meses do IPVA, IPTU, contas do natal passado, matrícula, material escolar etc. É nesse momento que muita gente fica inadimplente, para 2020, como economista, você imagina de que forma este cenário?

R – Nós brasileiros ainda estamos aprendendo a lidar com finanças, principalmente por questões inflacionárias, onde tínhamos que gastar tudo que recebíamos, pois, o dinheiro perdia valor. Após o plano Real (1994) que começamos a ter um pouco mais de controle.

Em uma situação ideal seria correto ter guardado um pouco todos meses de 2019 e uma parte do 13º para ajudar nos gastos do início do ano de 2020, que é muito pesado financeiramente.

O ponto para começar 2020 é listar os gastos. Qual o valor que de cada para despesa. IPVA, IPTU (Algumas regiões têm prazos diferentes não é início do ano), material escolar, uniforme escolar.

Verificar se dentro das suas condições você consegue pagar à vista? Pois tem desconto se pagar à vista.

Caso não seja possível pagar à vista, o parcelamento deva ser incorporado no orçamento mensal. Não deve ser esquecido, pois muitas vezes as pessoas somente verificam que o valor cabe no orçamento e depois esquecem que já comprometeram aquele valor, o que acaba gerando a inadimplência.

O segredo é planejamento, saber separar desejo de necessidade. Compras por impulso tem consequência no futuro pois não foram planejadas.

8. Gostaria, se possível, que você nos desse 10 dicas para começar o ano com “o pé direito” nas finanças, mesmo com tanta conta para pagar.

  • Não mantenha um estilo de vida incompatível com seus ganhos;
  • Saiba distinguir Desejo de Necessidade;
  • Mude de atitude, compre apenas do necessário, deixe de lado do desejo;
  • Planejamento financeiro é um processo racional, então retifique seu sonho;
  • Defina metas de curto, médio e longo prazo;
  • Dedique algumas horas do tempo para seu planejar, faça o mapeamento das origens dos seus recursos financeiros;
  • Identifique suas despesas e dívidas;
  • Elimine as despesas supérfluas
  • Se pague primeiro
  • Reveja periodicamente o planejamento